1 de junho de 2015

Óleos lubrificantes usados – Um futuro negro ou limpo?


O que é? 

Um óleo lubrificante pode ser Base ou Sintético. O óleo base é retirado diretamente da refinação de petróleo bruto. O óleo sintético pode se um éster orgânico (provém da adição de álcoois com ácidos orgânicos) ou um poli-α-olefinas hidrogenadas (provém do etileno). Os óleos podem conter aditivos tais como: antioxidantes, detergentes, aditivos anti uso, viscosidade, anticorrosivos, anti espuma. 

Devido aos aditivos e a serem derivados do petróleo, os óleos usados são produtos inflamáveis, normalmente contaminados com metais pesados, partículas sólidas/lamas, cloro ou solventes líquidos. 

São proibidas descargas de óleos usados: 
  • Nas águas de superfície, subterrâneas, costeiras e marinhas; 
  • Nos sistemas de drenagem de águas residuais ou descarga no solo.
Os óleos usados ao conterem os metais pesados podem ser absorvidos ou entrar na cadeia alimentar quando é efetuada a sua descarga para o solo, podendo atingir o Ambiente e os seres humanos, podendo depois ser lixiviado para as águas. Também impedem a oxigenação da fauna e flora.

Os óleos lubrificantes são: 
  •  Pouco biodegradáveis; 
  •  Bioacumuláveis; 
  •  Pouco solúveis em água; 
  •  Bons condutores térmicos; 
  •  Bons isolantes elétricos. 

 Para o homem, os óleos lubrificantes são tóxicos, provocam danos no fígado, são altamente cancerígenos, para a pele são bastantes perigosos quando absovidos.


Nota: Os que são isentos do Ecovalor não são recolhidos.

Entidade gestora 

Em Portugal a SOGILUB é a entidade gestora do Sistema Integrado de Gestão de Óleos Usados, constituída no Decreto-Lei n º 153/2003 e alterado a 17 de Junho pelo Decreto-Lei nº73/2011, tratando dos óleos novos e óleos usados. A SOGILUB tem contratos com produtores de óleos novos, produtores de óleos usados e operadores de gestão de óleos usados. A SOGILUB está encarregue de gerir os circuitos de recolha seletiva, o correto transporte, armazenagem, tratamento e valorização, assim minimizando os riscos para a saúde pública e para o ambiente.

Ciclo do óleo usado:



Empresas responsáveis pela Receção/Transferência, Armazenamento e Tratamento de óleos 
em Portugal Continental:


Pré-Tratamento de óleos: 
  •  Remoção de partículas sólidas (centrifugação/filtração); 
  •  Remoção de água (decantação/evaporação); 
  •  Desmetalização. 
 Tratamento de óleos: 
  •  Recuperação de gasóleo e gasolina; 
  •  Separação das várias frações de óleos (destilação a vácuo ou extração); 
  •  Refinação catalítica e tratamento com terras ativadas.


Tiago Silva



Fontes de gráficos e tabelas: Sogilub

29 de maio de 2015

Veículos em Fim de Vida (VFV)


Veículos em Fim de Vida (VFV) são aqueles que são denominados como veículos que estão estacionados por tempo superior a 48 horas que apresentem ainda sinais exteriores evidentes de abandono.

Os VFV são abandonados nas bermas das estradas, nos campos e em sítios com grande densidade populacional, causando:
  • Poluição visual, alterando a beleza das paisagens; 
  • Contaminação dos solos e das linhas de água, devido ao derrame de óleos e outros contaminantes. 
Por ano são abandonados entre 10000 a 15000 veículos, mesmo podendo ser punível com uma coima, sendo que as autoridades municipais ou policiais é que fazem o reencaminhamento destes veículos para os centros de receção. Para contrariar esta situação a Valorcar que faz a gestão dos VFV tendo assinado protocolos com os diferentes municípios para assim aumentar a eficiência da recolha destes veículos.


O Ciclo da Gestão dos VFV passa por cinco fases:
  1. Centro de Receção- Local onde ficam armazenados os VFV até serem transportados para o Centro de Desmantelamento, possuindo uma superfície impermeabilizada, sistema de combate a incêndios, sistema de recolha e tratamento de águas pluviais, águas de limpeza e de derrames.

  2. Transporte- É efetuada com o máximo cuidado possível, porque devido ao estado de degradação do veículo, pode condicionar ou mesmo inviabilizar as operações de despoluição/desmantelamento que vão ser efetuados posteriormente.

  3. Centro de Desmantelamento- Contém as mesmas características que o Centro de Receção e mais 2 outras características (uma unidade de despoluição pneumática e equipamentos de desmantelamento de VFV e contentores apropriados e identificados para os diferentes componentes/materiais retirados do veículo). Aqui os veículos são submetidos a duas operações, uma é a de despoluição (remoção dos componentes que são considerados perigosos) e a outra é promover a reutilização e reciclagem (remoção de diversos componentes para revenda em segunda mão ou para reciclagem). 

  4. Centro de Fragmentação- Para este centro, são enviados os VFV desmantelados onde as carcaças são trituradas em pequenos pedaços. Durante este processo as partículas de menor densidade e dimensão são aspiradas e separadas enquanto os metais “ferrosos” são extraídos por um eletroíman. O resto dos materiais passa por triagem/separação que separam os materiais “ferrosos” dos outros indo estes para reciclagem. Os materiais mais leves e pesados provenientes da fragmentação vão para valorização energética em fornos de coincineração ou para aterro. 

  5. Valorizadores- Onde ganham uma nova vida os fragmentos resultantes da desfragmentação dos VFV.



Tiago Silva


26 de maio de 2015

Óleos Alimentares Usados- Doçura ou Travessura?


Os óleos alimentares usados desde sempre quando acabados de usar eram colocados para a rede de esgotos ou depositados em aterro, mas há pouco tempo descobriu-se que é um risco muito elevado colocar este tipo de resíduo assim para o meio ambiente.

Um dos grandes problemas, quando despejados para a rede de esgotos, nas Estações de Tratamento de Águas Residuais vai dificultar e impedir o correto tratamento das águas.

Mas depois destes problemas, foi publicado o Decreto-Lei nº267/2009 em 2009, onde estão estipuladas as normas para o correto transporte, tratamento e valorização, por operadores devidamente licenciados. Os óleos são da responsabilidade dos consumidores, dos produtores de óleos alimentares, dos operadores da distribuição, dos produtores de OAU e dos operadores de gestão. Sendo que as Câmaras Municipais tem a obrigação de criar uma rede municipal de recolha seletiva.


Atualmente os óleos são reutilizados para fabricar sabão, lubrificante, graxa, tintas e detergentes e também para produzir combustível para motores diesel ou reciclados para se obter biodiesel.

O óleo quando utilizado em motores diesel tem como grandes vantagens em comparação com os combustíveis fósseis a qualidade do ar, a emissão de partículas, enxofre e 0 % de dióxido de carbono e não contribuem para o efeito de estufa. Mas só pode ser usado depois de tratado para retirar as suas impurezas tais como os restos de comida e de passar pela transesterificação, dando origem a um éster com:

  • Menor viscosidade;
  • Arranque a frio mais fácil;
  • Motores mais silenciosos;
  • Maior índice de cetano;
  • Filtrabilidade a temperaturas baixas;

Curiosidade: 1 litro de óleo contamina 1000000 litros de água.
Pontos de recolha: Apambiente

Tiago Silva

22 de maio de 2015

O Mundo dos RCD



Os RCD são resíduos provenientes de obras de construção, reconstrução, ampliação, alteração, conservação e demolição e da derrocada de edificações. 

Desde a sua formação, que os produtores destes resíduos são responsáveis pelo deu destino final e é obrigado pela lei a recolher, armazenar e entregar a operadores licenciados para assim não contaminarem o meio ambiente nem porem em perigo a saúde humana. Só os RCD produzidos em obras particulares é que não precisam de licença e estão ao encargo da gestão dos resíduos sólidos urbanos das Câmaras Municipais.

Atualmente em Portugal as metodologias de desmantelamento, demolição e gestão de resíduos permitem obter entre 90 a 98% de valorização de resíduos. A metodologia é composta por:

  1. Elaboração do plano de gestão de resíduos; 
  2. Recolha, triagem e acondicionamento dos resíduos recicláveis; 
  3. Desmantelamento e britagem dos inertes para assim aumentar a taxa de reutilização e reciclagem

Quando chegam à empresa que trata dos RCD, estes resíduos são avaliados consoante:

  • As suas características; 
  • Qualidade; 
  • Estado de contaminação com outros materiais perigosos; 
  • Reciclagem; 
  • Tratamento;

Para além dos RCD, a construção civil também origina resíduos químicos que podem ser classificados de perigosos, não perigosos ou inertes.

Depois da triagem são processados os resíduos, sendo desde então reencaminhados para um destes fins:
  • Reutilização;
  • Reciclagem;
  • Tratamento;
  • Incineração;
  • Deposição em aterros legais;

Dependendo da estrutura que se vai demolir ou construir, são originados diferentes tipos de resíduos, mas cerca de 80% são inertes limpos que podem ser reciclados ou reutilizados na própria obra e os outros 20% em brita segundo as normas do LNEC.


Tiago Silva


21 de maio de 2015

Construção Civil - Gestão Ambiental

Desde os primórdios da construção civil que os resíduos provenientes de construções e demolições eram despejados para descampados sem controlo nenhum ou então iam para as lixeiras, mas desde a segunda metade da década de 90, quando Portugal começou a reduzir a quantidade de lixeiras e a passar a ter aterros sanitários que se começou a pensar no que fazer com estes resíduos. 


 Foi então que em 2004 saiu a ISO 14001 em que refere que "parte de um sistema global de gestão de uma organização, utilizado para desenvolver e implementar a sua politica ambiental e gerir os seus aspetos ambientais". A partir deste momento cada Dono de Obra/Empreiteiro tem de fazer prevenção da poluição, cumprir a legislação e a melhoria contínua em favor do ambiente, isto é, um Sistema de Gestão Ambiental, tendo para isto fazer o levantamento e classificação dos aspetos ambientais.




Numa obra deve-se seguir com especial atenção:
- Ambiente Geral;
- Água;
- Resíduos;
- Transporte Resíduos;
- Ruído;
- Ar (Emissões Gasosas);
- Energia;
- Substâncias Químicas;
- Solos;
- Acidentes Graves;
- Avaliação de Impacte Ambiental.

Os pontos referidos anteriormente têm legislação correspondente e deve-se avaliá-los consoante os que são mais afetados pela obra e os que não.

Para além destes também deve-se ter em atenção:
- Planeamento e preparação da obra;
- Aquisição de matérias-primas;
- Desempenho ambiental e as práticas dos subcontratados e fornecedores;
- Transporte/cargas e descargas de matérias;
- Desmontagem do estaleiro;
- Fauna, Flora e Biodiversidade.

Depois da análise aos aspetos ambientais e próprios da obra tem de se identificar se esses aspetos são significativos ou não, classificando-os de 1 a 10 consoante a gravidade, com os seguintes critérios:

- Severidade/Dano Ambiental;
- Frequência ou Probabilidade de ocorrência;

- Existência de requisitos legais.



Se for considerado significativo tem de ser incluído no Programa de Gestão Ambiental. Exemplo de Gestão Ambiental para o Ruído:


Para além deste plano, desde o inicio ao fim da obra tem de se fazer planos e registos sobre vários aspetos, tal como descrito no quadro a seguir: 



Tiago Silva 

Fonte: Benchamarkae
Fontes Imagens: Mpgo, Benchamarkae